Os tempos mudaram, mas um padrão de comportamento se repete em departamentos de TI: o famoso caça às bruxas. O cenário normalmente segue essa linha: o projeto é grande, o desafio também. Pessoas muito qualificadas e muito comprometidas estão envolvidas. E como todo cenário desse tipo, há muitos riscos envolvidos.
As coisas começam a andar com dificuldade e os big-bosses não conseguem ter a visão macro e insistem em ser imediatistas e quererem tudo para ontem. Os trade-offs importantes são feitos a toque de caixa, sem pesar os prós e contras corretamente e sem uma idenficiação e endereçamento de riscos necessários. Contribuem também o fato de ao invés de entender que pequenas falhas são parte do processo de aprendizagem do time. Falhas acontecem e BOOM. Tiraram as pessoas que estão errando do caminho.

Uma coisa é certa: as pessoas envolvidas vão aprender com os erros cometidos. E elas vão reter esse conhecimento com elas – na sua empresa ou vão usar o que aprenderam em outra empresa.

E claro, não podemos esquecer que em toda caça às bruxas há figura do salvador. Esse por sua vez, esteve sempre atrás da cortina, se preparando para apontar as falhas e fazê-las algo muito maior do que são. Assim, quando as coisas dão errado, o nome deles é que emerge para salvar a pátria. E então ele entra com seu time de especialistas para mostrar “como deve ser feito”. O output desse cenário são dois: o time estava perto demais do sucesso e o líder foi tirado do lugar quando na “semana” seguinte conseguiria atingir o objetivo, e nesse caso o salvador triunfa e consegue se sustentar por muito tempo no poder. Usando essa conquista como uma grande meta que alcançou em pouquíssimo tempo, fazendo “as coisas certas”.

O “salvador” sempre aparece.

Salvador

O outro cenário, que é mais comum é: o salvador se embanana em pouquíssimo tempo.
E acaba se tornando motivo de piada para quem ficou. E depois de todo o desgaste, entre mortos e feridos. Os que ficaram, é que terminam o trabalho e entregam. Mas até aí, a empresa já perdeu muito dinheiro e muitos profissionais. A solução para combater esse pattern é muito difícil de ser colocada em prática: O líder precisa ter um relacionamento muito bom com a camada de cima e uma credibilidade inabalável, que as falhas momentâneas não deixem impactar na concepção e entrega do todo. Só assim, as falhas se tornam parte do processo de aprendizagem e os integrantes do time são vistos como indivíduos que tentaram e falharam, e estão muito mais fortes para tentar novamente até conseguir.

De perto, aquele problema que era muito fácil de críticar é bem mais difícil de resolver do que parecia.