Há muito tempo a mídia em geral bombardeia a mesma notícia: Faltam profissionais em TI. Na minha visão, até o final da década de 90 isso era verdade. Havia um grande gap entre a demanda e a oferta de profissionais. Na virada do milênio, essa discrepância diminuiu a um ponto quase inexistente. O que existe hoje são fatores que influenciam a busca mal-sucedida das empresas. Particularmente no Brasil, depois de 2008, com as crises eclodindo nos EUA e na Europa, a demanda exponencial caiu consideravelmente. Projetos gigantes já surgem com uma frequência menor. E quando surgem, a maturidade é maior do que se via no começo dos anos 2000 (sem um planejamento adequado e com afobação de ver entregáveis mais do que tomar decisões de negócios coerentes).

3 fatores aumentam a dificuldade das empresas em conseguir profissionais:

1 – Sua empresa não quer pagar o que o profissional vale
Um especialista em Google Analytics, que tem mestrado em estatística e fala alemão, existe. E deve haver uma dúzia de profissionais com essa combinação de skills. Só que a empresa quer pagar para esse profisional o mesmo que um consultor de Google Analytics. Vai haver candidatos qualificados/comprometidos para essa vaga, com esse valor oferecido?

2 – Your company sucks
A empresa conseguiu a fama durante anos de ser uma empresa ruim, e acha que pagando um valor um pouquinho mais acima do mercado, vai ser suficiente para atrair pessoas boas para suas vagas. Assim como as empresas fazem um background check nos candidatos, o contrário também é verdadeiro. Existem N empresas com esse perfil. Novamente, vai haver candidatos qualificados/comprometidos com esse cenário?

3 – It’s all politics
Muitas vezes a empresa tem características que aumentam o grau de agilidade e complexidade de decisões envolvidas. A política é muita. Startups com investidores que estão fazendo micro gerenciamento, donos inseguros, empresa familiar, etc. O fato é, se você é um gerente ou recrutador que quer contratar gente talentosa para esse cenário, mate no peito ou isole o máximo possível a politicagem dos seus profissionais. Essas pessoas querem fazer a diferença e estão dispostas a darem o seu máximo para entregar resultados. Não são do perfil que preferem ficar atrás e fazer política para se manter no emprego confortavelmente.

Afinal, lados bons e ruins todas as coisas têm. Mas com a experiência, os candidatos acabam escolhendo os tipos de problemas que terão que lidar na nova oportunidade.

Todos esses fatores são considerados e serão avaliados pelos candidatos. E hoje em dia, o candidato que não fizer essas considerações é no mínimo muito inocente. As empresas de maneira geral não assumem um papel ativo e não têm (ou não distribuem essa responsabilidade a) um departamento de RH. Esse departamento normalmente é visto só como uma consultoria de recrutamento e folha de pagamento. Sem nenhuma estratégia de motivação dos funcionários e construção de branding na empresa. Sendo assim, é difícil reverter o cenário, para que os profissionais não só aceitem as propostas mas comecem a procurar a empresa como um lugar que gostariam de trabalhar.