Há uma grande falta de entendimento dentro do mundo agile hoje em dia. Criou-se uma “religião” Scrum em que só os puros e os que acreditam naquilo em que os “mestres” disseram e escreveram é que vão para o céu do mundo agile. É um extremismo e existe.

A necessidade de um líder ou um deus não é novidade na sociedade moderna, nem antiga. Porém é preciso erradicar o mito do certo absoluto dentro das empresas, principalmente tratando-se de processos e metodologias. É bom lembrar que o Scrum, como a maioria dos processos ou metodologias foi criadas para trazer valor ao negócio e revelar os problemas que impedem a produtividade. Resultado, essa deve ser sempre a ancoragem. É difícil não ser repetitivo, mas não há uma nenhuma aliança ou comunidade que paga do próprio cofre para que você siga a metodologia a cabo, o que existe são empresas que pagam para que você as ajude a implementar o que dá mais resultado para elas – seja waterfall, scrum, ou pikachu methodology. Na minha opinião, a principal característica do Scrum é um super-poder que falta na maioria das organizações e pessoas: o bom senso. Acredito que os próprios criadores só chegaram na concepção deles ao questionarem a estrutura, modelos e processos que estavam sendo inseridos dentro de projetos de desenvolvimento de software. De uma maneira simples, é um elegante meio de se trabalhar com pessoas maduras e auto-gerenciáveis.

Agora pergunto: quantos de vocês trabalharam em projetos em que a maioria das equipes de desenvolvedores e envolvidos eram maduros e auto-gerenciáveis? Eu estive inserido nesse meio raríssimas vezes. E quando isso aconteceu, acredite: qualquer processo funcionaria. Pois as pessoas é que fazem a diferença e não o processo. O processo é como uma mola, impulsiona. Mas sem a força motriz, de alguém quiser pular nessa mola para chegar em outro ponto, a mola é só a mola. E sozinha não faz movimento nenhum. Agora, que fique bem claro, eu acredito no Scrum. Mas acredito muito mais nas pessoas e na sinergia que elas podem criar entre si. O bom scrum-master não é aquele que sabe de cabeça quantas tasks há no quadro, ou que velocidade o time teve nos últimos 3 sprints. Isso é tentar de alguma forma colocar pessoas num sistema matemático, onde tudo é previsível. Na vida real, não é. Se como diziam os sábios que o “calor humano é o motor da vida, e mola da utopia” devemos como scrum-masters acender essa fogueira. O bom scrum-master é aquele que trabalha o auto-gerenciamento do seu time, para que o time chegue em um nível que acabe delegando à ele simplesmente os impedimentos que realmente não pode atuar, pois tirariam do time o foco no desenvolvimento. Ou seja, que o time não “dependa” dele para tirar dúvidas com o PO, fazer um daily ou se integrar com um dev de outro time.

Devemos sempre questionar e avaliar o que realmente traz valor e resultado às empresas.

Termino com uma pitada de humor, citando Ferris Buller no filme Curtindo a Vida Adoidado: Na minha opinião,os ‘ismos’ não são bons. Uma pessoa não deveria acreditar em qualquer ‘ismo’, e sim em si mesmo. — Ferris Buller Day Off.